Archivos Mensuales: noviembre 2009

Se Llama Copla – 2009/2010 – Gala 11 – 28.11.2009

Convidado:

Rafael OJEDA, sevilhano. “Falete” quando canta, personagem sofisticada cujo brilhante registo artístico composto de sábia mistura de flamenco e copla, arrebata e fascina. Foi pertinente, profundo, sempre construtivo, e estimulo apreciadissimo para os candidatos.

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Pepe GOMEZ melhora em precisão e pertinência em cada gala. As suas criticas são objectivas e demonstram um grau de atenção muito elevado – os reparos que fez a Laura são disso um bom exemplo, e a candidata só ganhará em reflectir nelas.

Maria JIMÉNEZ revelou-nos a sua devoção à Virgem do Rocio, que segundo garantiu lhe resolve problemas, mas que porém a não impediu de macular com um despropósito chulo, de profundo e indesculpável mau gosto, a magnifica interpretação de Alejandra. Criticável!

Hilário LOPEZ continuou parco nos pontos e algo “seguidista” – ele próprio o reconheceu pelo menos um par de vezes. É pena que se abstenha cada vez mais de ilustrar as peças confiadas aos candidatos com a imensa erudição de que é depositário.

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Pive mais uma vez se viu confiada uma arbitragem extremamente delicada, que, no nosso modesto entender, resolveu correctamente. A sua missão não é nem nunca poderia ser, “salvar” o staus quo – para isso o candidato mais votado em cada gala dispõe de um joker que utiliza livremente. Continuamos por isso a sublinhar a justeza das suas decisões, que entendemos e largamente partilhamos.

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Tiveram actuações de destaque nesta Gala 11:
 
Inmaculada PANIAGUA, que defendeu com graça e salero Bulerías de la Isla. Grande domínio do palco, apoiado em cenografia de qualidade.
 


© CanalSur

Laura LARREA deu-nos uma interpretação de Noches bonitas de España a que só faltou algo mais de ousadia. Laura excede em prudência, e como Falete oportunamente observou, está demasiado dependente do ambiente que a rodeia.

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Abraham RUIZ honrou com brio a memória de Caracol, defendendo com intimidade e contenção “Carcelero, carcelero”, peça histórica dificílima, zambra erudita maior entre as maiores. Foi vitima da dificuldade que o publico tem em apreciar prestações complexas, e ouvido o desafio varias vezes, não conseguimos compreender a decisão do júri. Desejamos a Abraham todos os sucessos pessoais e artísticos, e estamos certos que a sua arte e tenacidade vingarão.
 


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Damos as boas vindas a Maria Angeles FERNANDEZ.

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Quanto às melhores presenças da noite:
 
Sandra deu largas à sua preciosa veia lírica com uma interpretação agradabilíssima de “La Ruiseñora”. Dominou a cena, foi incisiva, e também merece constar na lista das melhores presenças da noite pela dignidade e serenidade com que afrontou a dureza do júri e o sentimento com que deixou o palco para Abraham enfrentar o desafio.


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Mercedes cantou “La duquesa Cayetana”, copla alusiva a D. María del Pilar Cayetana de Silva Álvarez de Toledo (1762-1802), modelo de Goya. Desempenho musical e cénico preciosos, coreografia requintada. Mercedes meteu-se na personagem com uma elegância e recato notabilíssimos, dando-nos uma versão totalmente diferente mas tão bela como a que a excelente Gloria ROMERO nos deu na gala 19 da edição passada. Aqui ficam as duas, para memória. Vestido estupendo de Petro VALVERDE.


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Selene deu-nos o primeiro momento mágico da noite interpretando “Herencia gitana”, copla e poema exímios dos anos trinta, bordados de forma magistral. Cenografia fascinante. Olé Selene, Olé Marietta!

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Alejandra começou por preparar os milhões de telespectadores que aguardavam a sua actuação com um improviso, de brilho e intensidade excepcionais. Não podemos assegurar se alguma vez ouvimos “Que no daría yo” de forma mais emotiva!

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Em seguida cantou “La gente”, e acrescentou mais uma noite de glória a tantas outras com que nos tem deliciado, deixando-nos sem palavras para qualificar o seu desempenho. Luziu um vistoso vestido de Ángeles VERANO.

 

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2M

Se Llama Copla – 2009/2010 – Gala 10 – 21.11.2009

Convidada: Marina HEREDIA. Bailaora e cantora granadina – de alguma forma herdeira de Camarón – tem provas dadas de grande sensibilidade e versatilidade artísticas. Actuará no Town Hall de Nova Iorque no próximo dia 20 de Fevereiro de 2010, ao som da Orquestra Arabo Andaluza Chekara, de Tetuão. A não perder, que o dólar está pelas ruas da amargura… Esteve sóbria, correcta, objectiva, pertinente. “Copla es arte mayor” apreciou sobremaneira o 10 com que premiou a preciosa actuação de Selene.

Pepe GOMEZ continua competente, construtivo e equilibrado nas pontuações que atribui.

Maria JIMÉNEZ parece-nos cada vez mais próxima do programa, mais atenta e empenhada, assumindo o papel activo que lhe compete. Se daqui a criticámos, é com prazer que agora a felicitamos.

Hilário LOPEZ continua algo parco nas pontuações (excepto na de Paco QUINTANA), e com menos intervenções didácticas do que aquelas a que nos tinha habituado.

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Pive AMADOR uma vez mais resolveu bem a arbitragem final.

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Tiveram actuações de destaque nesta Gala 10:

Abraham RUIZ, a quem coube cantar “Te lo juro yo” – uma das coplas clássicas espanholas mais conhecidas e apreciadas em todo o mundo. Esteve muito bem, dando à sua interpretação um cunho pessoal interessantíssimo.

Inmaculada PANIAGUA, que cantou “Solo vivo pa´ quererte” com acerto e determinação. Tem excelentes qualidades, mas nesta fase do programa terá consideráveis dificuldades em abrir caminho.

Paco QUINTANA, que foi prejudicado por indisposição inesperada. Com grande esforço, cantou muitíssimo bem “Puentecito”, um precioso hino a Córdova. Daqui lhe desejamos rápidas melhoras.

Álvaro LOPEZ, ao cantar “Me embrujaste” ao desafio.

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Notas soltas:

É a primeira vez que a presunção de um desafiante é tão desproporcionada em relação às qualidades evidenciadas. Bem estaria um curto estágio de modéstia, a frequentar pelos desafiantes na semana que precede a gala.

É cada vez mais visível e nítido o progresso da maior parte dos concorrentes, que assim contribuem para a excelência de Se Llama Copla e prestam um serviço notável à terra andaluza e ao reino.

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Quanto às melhores presenças da noite:

Sandra ARCO interpretou “A ciegas”, copla de grande beleza lírica. Distintíssima, num sóbrio vestido de Masell Modas, contida, porventura com ligeira insegurança de voz, mas com estupendo controlo do gesto. Esteve tão bem como Gloria ROMERO nos seus momentos mais altos.

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Laura María imprimiu toda a paixão, intensidade e dramatismo de que é capaz numa grande interpretação de “Esclava de tu amor”. Encantou, e superou o momento difícil que passou na semana passada.

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Mercedes defendeu o pasodoble “Romance de valentía” com grande sentido estético, equilíbrio cénico, superior elegância de voz e de movimento. Passeou um esplêndido vestido com mantilha de Canãvate. Sente-se Mercedes progressivamente mais serena, sendo evidente a mais valia que dai retira.

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Selene, arrebatou e extasiou cantando, dançando e contando de forma genial “María de la O”. Marina HEREDIA definiu magistralmente a jóia Selene: “La artista de Se Llama copla que dice más cosas sin decirlas”.

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Alejandra, a nossa imparável Alejandra, deu-nos uma fascinante “Cariá la sanluqueña”, plena de requinte melódico, de força, de superação musical e cenográfica. Começa a ser algo difícil encontrar palavras para qualificar os desempenhos de Alejandra. Vestido – belíssimo! – de Loli VERA. A orquestra esteve sublime.

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Olé, grandes artistas!

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2M

Se Llama Copla – 2009/2010 – Gala 9 – 14.11.2009

Convidada: Índia MARTINEZ. Presença sóbria e discreta. Cumpriu correctamente a sua missão.

Pepe GOMEZ, mantendo em geral a boa forma, pontuou sem desvios significativos em relação aos outros membros do júri.

Maria JIMÉNEZ pareceu-nos senão restabelecida, pelo menos em via de restabelecimento. Invectivou o público, o que é animador sinal de regresso – ainda que tímido – ao gosto pela polémica que evidenciou no início desta edição de Se Llama Copla.

Hilário LOPEZ esteve bem, ainda que nos parecesse algo contido e parco em comentários.

Já desde algum tempo, o júri parece-nos estar a cair no erro grave de esbater a diferenciação entre candidatos, tornando assim mais difícil a leitura objectiva do registo de cada um. Foi flagrante a parcimónia com que pontuou Alejandra, para logo em seguida cometer exagero manifesto na avaliação de Paco QUINTANA. Foi também evidente a sobre-pontuação de Sandra ARCO em relação a Alejandra, e a penalização de Laura LARREA em relação a ambas.

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Pive AMADOR arbitrou com oportunidade e coerência, salvando Álvaro e forçando a desafiante a bater-se com Laura LARREA, que é indiscutivelmente um dos valores mais seguros do programa.

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Tiveram actuações de destaque nesta Gala 9:

Juan Carlos MATA que defendeu muitíssimo bem “El pescaero”, prestando honrada homenagem ao excelente Antonio AMAYA.

Abraham RUIZ cantou “Adiós a España”, com sentimento, força e tenacidade sem falha. Coincidindo a Gala 9 com o seu aniversário, daqui lhe manifestamos toda a simpatia e votos de uma vida longa e feliz!

Selene MOLINA interpretou “Tengo miedo” com a intensidade e sentimento a que nos vem habituando. Algo prejudicada por uma óbvia inflamação dos brônquios, luziu um magnifico vestido de Carmen VEGA. Mereceu grande apreço o gesto de India MARTINEZ, que ao dar-lhe a nota máxima marcou o seu desacordo com os 7 pontos (!!!) com que Pepe, Maria e Hilário pretendiam enviá-la ao desafio.

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Mercedes RÍOS, apresentando com suma elegância um dos mais belos vestidos da temporada da autoria de Manuela BERRO, pode dar largas ao seu culto “piqueriano” cantando ¿Pa quien será?” com picardia, desenvoltura e grande correcção vocal e cenográfica. Resultou particularmente humorística a forma entaramelada como Maria JIMENEZ lhe criticou um ligeiro engano na letra, trava-línguas dificílimo de que Mercedes se desenvencilhou muitíssimo bem.

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Três das dez coplas cantadas pelos concorrentes nesta Gala 9 foram gravadas por Amália RODRIGUES: “La Salvaora“, “Ojos Verdes” e “Don Triquitraque” (Amália adorava os trava-línguas!).

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No nosso sempre modesto entender – nunca será demais repetí-lo – as melhores presenças da noite foram

Laura María LARREA, que interpretou Dolores, ay mi Dolores” com equilíbrio, sentido estético apreciável… e muito medo do júri! Medo que de alguma forma se viu justificado, pois os 31 pontos que recebeu foram agressão manifesta à equidade.

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Sandra ARCOS bordou toda a poesia de “En una esquina cualquiera”, imprimindo-lhe com os matizes da sua excelente voz toda a riqueza melódica de tão famosa peça musical.

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Alejandra RODRÍGUEZ deu-nos uma versão de “La Salvaora” que marcará junto das grandes versões registadas na história de tão famosa zambra: Manolo CARACOL, La Paquera, Miguel POVEDA, Naranjito de Triana… e a da nossa inesquecível Amalia RODRIGUES.

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A sua actuação – num belo e simplicíssimo vestido de Amparo MACIA – prescindiu dos bailarinos, permitindo deste modo uma concentração muito maior por parte dos telespectadores, e resultando numa performance de cortar a respiração. Juntamo-nos a Hilário, e utilizamos as suas palavras para descrever “La Salvaora“, versão Alejandra RODRÍGUEZ:

Voz, Quejío, Duende, Garra, Mistério, Qiebro gitano…

Obrigado Alejandra!

2M

Se Llama Copla – 2009/2010 – Gala 8 – 7.11.2009

Convidada: Tamara. Sevilhana, filha de mãe cigana (que foi notável bailaora!) e neta do grande Rafael FARINA. Com 15 anos gravou o seu primeiro álbum intitulado “Gracias“. Em seguida, gravou em Miami uma compilação de boleros intitulada “Siempre“, que obteve sólidos aplausos da crítica e o apoio do público. Esteve muitíssimo bem: prudente, construtiva, encorajante.

Pepe GOMEZ avaliou e motivou as pontuações com equilíbrio, mantendo-se algo “económico”. Aprovámos e apreciámos o 8 que deu a Juan Carlos, mas entendemos injustificadamente curto o 9 que deu a Alejandra.

Maria JIMÉNEZ continua incomodada por problemas de saúde, pelo que persistimos desejando-lhe pronto restabelecimento.

Hilário pareceu-nos particularmente severo – o que em si não é negativo – mas também algo incoerente, sobretudo ao separar de um só ponto as actuações de Laura Maria e de Paco Quintana.

Pive marcou uma vez mais a sua recusa insubmissa do politicamente correcto, não se deixando perturbar pelo ambiente contestatário latente.

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Como tínhamos previsto no post relativo à gala 7, Maika GARCIA divorciou-se dos telespectadores ao adoptar uma atitude conflituosa em relação aos seus colegas, que roçou as raias do intolerável. Estamos tanto mais à vontade para o referir, quanto comungámos da confiança que Pive lhe manifestou, pois vemos nela um valor seguro – pelo menos no que respeita às capacidades artísticas.

Terminada a sua participação no concurso, damos as boas vindas à sevilhana Inmaculada PANIAGUA, cujo desempenho foi não só sem falha, mas também de alta qualidade.

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Tiveram actuações de destaque nesta Gala Oitava:

Álvaro LÓPEZ, que nos deu uma versão intimista e pessoal de “La bien pagá” cuja qualidade manifestamente escapou a Pepe GOMEZ e a Maria JIMENEZ.

Mercedes RÍOS, que os telespectadores propulsaram a vencedora da gala, demonstrando o requinte de gosto por uma certa copla erudita tal como “Doña Isabela de Solís”, que Mercedes defendeu muitíssimo bem. Daqui saudamos Mercedes pelo estoicismo com que enfrenta comentários insultuosos, aplaudindo a sua decisão de não se deixar abater por meras vozes infames.

Abraham RUIZ mantém percurso seguro e prudente. Cantou “Cautiva”, e demonstrou ser cada vez mais capaz de se integrar no espírito das letras que lhe cabem.

Sandra ARCO foi excelente interpretando ”Com ruedas de molino”. É possível que a atitude inesperada (e injusta!) dos telespectadores a seu respeito seja reacção à sobrevalorização do seu desempenho pelo júri, que ao pontuá-la tão alto manifestou insensibilidade à avaliação comparativa – e relativa – dos méritos de cada concorrente.

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As melhores presenças da noite foram:

Laura María LARREA
, que cantou “La Remanguillé” com ritmo perfeito e alegria contagiante. Foi manifestamente prejudicada pelas altíssimas expectativas que vem induzindo no júri, podendo mesmo qualificarem-se como verdadeiro castigo os 29 pontos que recebeu. Passeou um belíssimo vestido de Amparo MACIA com a graça flamenca que lhe é peculiar.

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Selene MOLINA – forte, segura, convicta – bordou um “Amor maldito” com deliciosas pinceladas pessoais flamencas.

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Alejandra RODRÍGUEZ, a espantosa Alejandra, que conseguiu transformar um tema banal – “Mira si eres malo conmigo” – em obra de arte musical e cénica, imprimindo-lhe uma riqueza de interpretação quase barroca, mas sempre justa, roçando a perfeição. Vestido de Pilar VERA – também verdadeira obra de arte.

© CanalSur

2M

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